A AJAP desde sempre desenvolveu atividades no intuito de contribuir para a dinamização e promoção dos territórios rurais, e foi apresentando propostas aos sucessivos Governos para alterar o cenário que vimos assistindo ano após ano.
O território encontra se no estado que está , devido à sequência de 40/50 anos de políticas públicas desa justadas, na ausência de investimento estratégico com futuro para estas regiões, e um conjunto de circunstâncias que levaram ao seu despovoamento, à perda de vitalidade e conómica, social, cultural e inclusive à perda de muita da sua ident idade.
Importa ter bem presente que Portugal é um dos países europeus mais afetados por incêndios florestais, sobretudo em áreas rurais envelhecidas, com menor vigilância e capacidade de resposta para este flagelo. Paira sobre as nossas memórias e sobre o nosso dia a dia, especialmente em algumas regiões, o rasto de destruição provocado pelos incêndios rurais e florestais. O desânimo tomou conta destes lugares com paisagens fantásticas onde a natureza e o seu património, fauna e flora, vão sendo ciclicamente devastados pe lo fogo, em boa parte associado à s alterações climáticas.
O Portugal Rural vive um colapso silencioso e cumulativo; o desequilíbrio profundo entre o rural e o urbano, com territórios rurais a enfrentarem o despovoamento, o envelhecimento populacional e a perda de capacidade económica. Este cenário compromete não só a coesão territorial, mas também a soberania alimentar, a resiliência ambiental e a diversidade cultural do País. O papel da juventude emerge, assim, como fator determinante para a revitalização destes territórios . Jovens agricultores, jove ns empresários rurais, empreendedores , universitários e outros investidores , são hoje essenciais para implementar práticas inovadoras, trazer tecnologias , mais digitalização e dinamizar novas atividades económicas, desde as ligadas ao turismo, serviços, indústrias criativas, energias renováveis, preservação dos recursos, melhoria dos ecossistemas e economia circular.
Somos defensores de que é necessária uma maior articulação e concentração de esforços entre as diferentes instituições públicas ou privadas )), por forma a que estes territórios se tornem mais atrativos para as pessoas em geral, e para os jovens em particular. Bem sabemos que existe capacidade instalada, trabalho feito, experiência institucional, e algum financiamento disponível, falta maior coordenação estratégica, presença técnica local e uma verdadeira articulação entre programas.
Os territórios rurais não são um problema a resolver, são soluções esquecidas que urge recuperar.